sábado, 15 de novembro de 2014

Eu sei, Regina, eu sei...



Eu sei, Regina, eu sei...

Eu sei,
Eu sei que plantaste um mulemba em Angola e te apeteceram os seus abraços mas não te agasalharam.

Eu sei,
Eu sei que és raiz à procura de um novo húmus e já te não leva o vento da âncora em que fundeaste.

Alcançaste na poesia nova sombra e nessa terra longe o teu novo altar.
Nada somos sem uma História para contar sem um Poema para erguer.

Vogas agora feliz e encantada a cantar a voz da tua voz nas vozes que colhes na voz de um novo povo.
Cantas a poesia que te vai na alma na rima da vida que compões,
Cantas voz universal de mulher o som da brisa que nos embala.

E cantas, cantas, cantas sem que a voz te doa,
Porque de poesia te alimentas deserdada da terra
Que segues o pó das estrelas no brilho que deixas ao passar
E em ti floresce o poema
Na sedução da palavra
Na ilusão do corpo
Na transformação do tempo…

Rui

 Imagem: Pintura sobre porcelana de Isabel Clington.










Um comentário:

  1. Um poema profundo e construído num enlevo de alma que nos eleva. Parabéns!

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