terça-feira, 21 de agosto de 2012
segunda-feira, 20 de agosto de 2012
Fábrica de Loiça de Sacavém
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No Montijo, há alguns quatro painéis de azulejos da Fábrica de Loiça de Sacavém a adornarem a fachada de um dos seus imóveis, datados da década de 50 do século XX. |
Ruky Luky
terça-feira, 14 de agosto de 2012
27.º Aniversário da Cidade de Montijo
As Lágrimas Amargas da Minha Cidade
Após a vitória eleitoral, Maria Amélia Antunes teve quem, que imitando o escravo romano, lhe foi lembrando, na hora do triunfo, após a vitoriosa batalha eleitoral: «Lembra-te que és uma mulher. Cuidado! Não caias (cave ne cadas).»
Era o modo de, perante as aclamações que a população sempre dispensa aos vencedores, abater o orgulho que pudesse inspirar a autarca, apelando-se, assim, à humildade democrática na gestão do município.
O poder é um perfume subtil e sedutor, mas forte e embriagador, que mina os incautos seduzidos e mortificados pela vã e passageira glória.
Cedo foram afastados todos quantos por genuína vontade de mudança e de desenvolvimento de Montijo apoiaram livre e criticamente a batalha eleitoral de Maria Amélia Antunes, e substituídos por uma principesca e submissa corte. Cedo se começaram a imitar os piores vícios da anterior gestão comunista.
Montijo foi beneficiado com condições políticas, financeiras e económicas como nunca tinha usufruído, pelo menos, nos últimos 150 anos da sua história.
Um poder político maioritário e da mesma coloração ideológica do poder central; investimentos avultados na área da construção civil e nas infra-estruturas realizados por investidores privados; arcas municipais repletas pelas taxas pagas pela construção civil e pelo apoio constante do governo central; uma oposição débil; o silenciamento do único jornal plural concelhio a par de uma forte aposta na propaganda política, são alguns dos elementos a considerar.
O momento era ímpar e grandioso e exigia lucidez e inteligência suficientes para se ter avaliado que as tarefas a realizar eram ciclópicas e que só poderiam ser levadas a bom porto com a colaboração/participação de todos.
Porém, contraditoriamente, Montijo viu rasgar-se o seu tecido social, fenecer a sua actividade económica e minimizarem-se os seus agentes culturais e desportivos.
Agrilhoada a sua alma, a Cidade regrediu e transformou-se em mais um dormitório da Área Metropolitana de Lisboa.
Montijo testemunhou a ascensão da prepotência e do nepotismo corolário da ausência de humildade democrática e de sentido de missão e de dever públicos.
Estrangulou-se a Liberdade e sem Liberdade não há progresso, porque, como registou o poeta, «A Liberdade é para o brilho das consciências o que o Sol é para a vida da Natureza.» (1)
As horas de mor tormenta deveriam ter sido preenchidas com plena serenidade, farol da tolerância, essa tolerância que «é, antes de mais, o respeito profundo pelos direitos e liberdades dos outros, mas também o resultado de um sentimento de benevolência pelo próximo». (2)
O monolitismo político instalou-se na Polis e de mãos dadas com a mediocridade anatematizou quem ousou dizer não.
Amordaçou o debate de ideias, burocratizou a cultura, aliou-se ao obscurantismo como forma de sobrevivência política, utilizou o medo como espada, ignorando que «Cultura e liberdade identificam-se – sem cultura não o pode haver liberdade, sem liberdade não pode haver cultura [porque] a cultura deve em primeiro lugar dar a cada homem a consciência integral da sua própria dignidade» (3) e, por outro lado, que «Com o tempo, o espírito acaba sempre por vencer a espada.» (4)A Terra segue, assim, exangue sob o som das trombetas da injustiça e do medo, num tempo em que «os dias que vão passando dizem à boca pequena que até o silêncio chora.» (5)
O PS/Maria Amélia Antunes foram a negação de rei Midas – tocaram em Montijo e transformaram o seu ouro em pechisbeque, e assim se apresenta, hoje, Montijo, como um dormitório, como uma cidade que, em determinados períodos, se assemelha a uma cidade-fantasma pela ausência de vida que patenteia e, sobretudo, por ter perdido a sua alma.
Passa, hoje, o 27.º aniversário da cidade de Montijo sem qualquer cerimónia, por mais modesta que fosse, a assinalar a data. Não é um sinal dos tempos de crise que vivemos – ali, os nossos vizinhos alcochetanos estão a celebrar com “pompa e circunstância”, as Festas do Barrete Verde -, mas, sim, da incompetência que tem sido apanágio do governo municipal que lançou o Montijo para uma das suas maiores crises históricas, atoleiro donde tão cedo ou nunca se libertará. Morta a alma de uma cidade como ressuscitá-la?
O sonho de 1998 transformou-se num pesadelo a lançar as suas trevas para o futuro.
«Minha terra está sangrando
As aves morrem de penaMais penas tem quem cá mora;
E os dias que vão passando
Dizem à boca pequena
Que até o silêncio chora.
Órfãs de lua e de estrelas
As noites vestem de lutoPor madrugadas chorando
O vento recusa as velas
Esperanças não as escuto
Minha terra está sangrando.»
João Dias
Chora, terra bem-amada, mas ergue-te na força da tua vontade.
1. Joaquim Serra
2. Latino Coelho
3. Bento de Jesus Caraça
4. Napoleão
5. João Dias
sábado, 11 de agosto de 2012
Retina - Capítulo I
À Conquista do Próprio Lar
Francisco Soeiro Aleixoquinta-feira, 9 de agosto de 2012
Boas Férias
terça-feira, 7 de agosto de 2012
Memórias de um pescador
António João Coelho de Sousa [Marcelino]
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| António João Coelho de Sousa, uma vida ligada ao Tejo |
A Campanha… O meu bisavô foi pescador. Aos 85 anos ainda pescava. O meu avô, Marcelino de Sousa, foi um dos fundadores da Sociedade Cooperativa União Piscatória e o meu pai, António João de Sousa, foi um dos animadores das Festas dos Pescadores, em 1950. Eu bem posso afirmar que nasci e vivo no rio. As minhas brincadeiras preferidas eram no rio e aos dez anos já partia para a faina com o meu pai, na sua campanha.
A campanha tinha normalmente 14 homens. O meu pai chegou a andar com uma campanha de 14 homens e 17 rapazes ao rabisco.
Havia regras a cumprir. Nas refeições, enquanto durasse a faina, normalmente 10 a 12 dias, comíamos todos do mesmo alguidar. Os rapazes que andavam ao rabisco tinham de pagar o seu próprio pão e não tinham direito a beber vinho.
Quando a campanha partia, levava, normalmente, o bote-mãe, os botes-enviada, as canoas das redes e as caçadeiras (lanchas de transporte). Cada homem levava as suas próprias redes. Como não havia meios para conservar o peixe apanhado os botes-enviada transportavam-nos logo para terra para serem vendidos.
No final da faina, juntava-se todo o dinheiro e fazia-se a repartição da seguinte maneira: primeiro, tirava-se o dinheiro da Associação (SCUP) e do padeiro, que era para pagar o avio feito na Associação e no padeiro. Da Associação nós levávamos o bacalhau, as batatas, o azeite, o vinho, o vinagre, a lenha, as cebolas, e os alhos, que eram ali vendidos. Depois, o restante dinheiro era divido por partes, assim: 1 homem - 4 partes; Quinhão das redes – 2 partes; Bote-mãe – 4 partes; Bote-enviada – 3 partes; Canoa de redes – 1 parte; Caçadeiras – 10% a 15% do quinhão das redes.
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«Tapa-esteiros» ou «cerco», arte da pesca praticada, em Montijo, até ao final da actividade piscatória, na década de 90. |
Por este rio acima… Ao longo do esteiro íamos até Cacilhas e subíamos o rio até Pancas. Ainda usei o “tapa-esteiros” nos Olivais, Poço do Bispo e por ali além. Nesse tempo, sim, valia a pena. Só para se fazer uma ideia do rio, aí há trinta anos, basta dizer-lhe que, quando as corvinas começavam a roncar faziam tal barulho que superava o das máquinas e era de tal modo ensurdecedor que ficávamos com a cabeça a zunir. Acredite, que não exagero. O rio estava cheio de corvinas, tantas como pedras há numa calçada. E não eram só corvinas. O rio era generoso no que nos dava e tudo era bom. As ostras, por exemplo, eram sadias, saborosas, cheias de miolo. Quem não as conheceu assim como eu e os meus companheiros ainda as conhecemos, terá, talvez, dificuldade em acreditar que se apanhavam ostras com meio quilo de miolo.
Botos… Golfinhos… Se os vi…Havia muitos, na Doca do Alfeite, onde era proibido pescar. Eles andavam por ali porque sabiam como eu que havia muito peixe. Não havia dia nenhum que, em grupos, os golfinhos não subissem até ao Montijo. Com a poluição desapareceram as algas, as ostras e os botos. Foi um desaparecimento quase simultâneo. ![]() |
| Canoas atracadas no Cais dos Vapores- 2012 |
O rio e as artes da pesca… Ainda me recordo de ter visto construir aqueles barcos, nos estaleiros de Montijo. Ali, enterrados [no lodo] estão o “Passarinho”, o “Espantalho”, o “Teimoso” e a “Flor de Montijo”. Você já reparou que a Moita, o Seixal e Alcochete, entre outras localidades, têm barcos daqueles a navegar e só Montijo e Lisboa é que não?
Naquela altura o rio era bonito, com centenas de embarcações à vela. O tejo ficava todo embandeirado. O transporte de mercadorias era feito pelo rio e ficou-me na recordação o bote “Carlos Alberto”, do Izidoro, que fazia abastecimento até Salvaterra.
Não quero errar, mas não andarei longe da verdade se disser que, entre 1940/1950, havia perto de 400 pescadores e 30 ou 40 catraios.
Usávamos várias artes, que foram sendo proibidas ou esquecidas, como o candeio, o tresmalho ou tramalho, as redes singeleiras, o arrasto, a pesca à chincha, entre outras. O rio era rico, cheio de corvinas, charrocos, salmonetes de todo o tamanho, douradas santolas, camarão e ostras, a valer, raias, em grande abundância até à zona das lezírias, e tantos outros peixes…
Hoje? Nem robalos, nem enguias, nem patruças… Lá se vai pescando uma ou outra coisinha, mas a vida está má. Há dias – e tantos são – que o que se pesca não paga as despesas.
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| Apetrechos de pesca - Cais dos Vapores, 2012 |
Lubélia Maria… A minha embarcação é a mais antiga do Tejo, dentro do seu género. Está registada na Delegação Marítima há 120 anos. Nem sempre se chamou «Lubélia Maria». Quando a minha família a comprou chamava-se «Maria Luísa», mas após a reparação a que foi submetida, mudámos o nome para «Merlinda» e, com o nascimento da minha filha, resolvi dar-lhe o nome com que baptizara a minha filha, «Lubélia Maria».
Era um barco à vela, como os catraios. Em 1948 ou 1949, foi-lhe aplicado um motor fora-de-bordo, que só se começou a vulgarizar a partir de 1955. Em 1964, tornou-se foi a primeira canoa com motor a bordo, no Tejo.
Uma classe pobre… Sempre fomos uma classe pobre. Não houve trabalhador nenhum que não tivesse de trabalhar até morrer. Poucos conseguiram amealhar para comprara a sua própria casa. E foram as privações que os pescadores passaram que levaram um pequeno grupo deles a constituir a Sociedade Cooperativa União Piscatória, que, tanto quanto eu sei, foi a única do seu género no País. A Sociedade Cooperativa permitiu que os pescadores se aviassem e abastecessem as suas famílias fazendo as contas ao voltarem da faina.
No Inverno, por questões de segurança, os pescadores procuravam outra ocupação. Trabalhavam então nos transportes, na agricultura ou na chacinaria. Não fugi a este destino, pois também trabalhei nos transportes e na chacinaria. Mas, felizmente, o rio e a vida não foram maus para mim.
No início da década de 90, por imposição do Regulamento 402/86 da Comunidade Europeia, a generalidade dos pescadores de Montijo teve de proceder ao abate físico das embarcações de pesca com um comprimento, entre perpendiculares, inferior a 9 metros, iniciando-se, assim, o processo que levou, praticamente, ao fim da faina piscatória, em Montijo.
António João, ou Marcelino, como também é conhecido em homenagem ao seu avô, testemunha o fenecimento do rio, que foi riquíssimo, mesmo neste braço que embeleza Montijo. No início do século XX, havia tantos botos (golfinhos) no esteiro, que dizimavam os peixes, que os pescadores tiveram de pedir apoio às autoridades para combaterem tão poderoso concorrente. Por outro lado, tornaram-se lendárias as ostras de Aldegalega, que eram exportadas para alguns países europeus.
O texto foi composto a partir da entrevista que o «Pescador», como o tratam os seus amigos, concedeu à “Nova Gazeta”, em 1991.
Guarde-se, então, esta memória, para mais tarde recordar, quando as corvinas voltarem a povoar o rio…
Ruky Luky
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
Pátios de Montijo
Vila Correia
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| Vila Correia é o nome do pátio localizado no término da Rua do Alm. Gago Coutinho |
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| A entrada do pátio |
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| A proximidade das habitações originou fortes e originais laços de vizinhança. |
Flor "colhida" num recanto à entrda do pátio
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Vila Correia recebe-nos num recanto extremamente acolhedor e aprazível. Ali, deve viver gente sensível e de bom gosto. Ruky Luky |
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